Orbán reeleito presidente do Fidesz após derrota de abril
Viktor Orbán foi mais uma vez o único candidato à presidência do partido, recebendo o apoio de 729 dos 737 delegados.
O ultranacionalista Viktor Orbán, primeiro-ministro da Hungria de 2010 até maio passado, foi hoje reeleito presidente do Fidesz, no primeiro congresso do partido desde a sua derrota nas eleições parlamentares de abril, contra o partido conservador Tisza.
Orbán, de 63 anos, disse aos delegados do partido reunidos em Budapeste que "nunca" desistiria e que, embora o Fidesz não seja atualmente um partido bem-sucedido, precisa de recuperar e renovar-se nos próximos meses.
Apesar de se terem ouvido algumas vozes críticas no congresso, Orbán foi mais uma vez o único candidato à presidência do partido, recebendo o apoio de 729 dos 737 delegados, segundo a HírTV.
A reunião magna do Fidesz ocorreu dois meses após a histórica derrota do partido, quando o líder do Tisza, Péter Magyar, pôs fim aos 16 anos de governo de Orbán.
Antes das eleições, o grupo parlamentar do Fidesz detinha 133 dos 199 lugares, enquanto no atual Parlamento detém apenas 52, em comparação com os 141 do Tisza.
"Sou responsável pelos erros estratégicos e não qualquer outra pessoa", admitiu Orbán aos delegados, depois de afirmar que "a Hungria teve 16 anos fantásticos" sob o seu Governo.
Segundo o ultranacionalista, eleito para um mandato de um ano, o Fidesz "ainda não está preparado para ser um partido da oposição bem-sucedido" e, por isso, terá de trabalhar arduamente nos próximos meses para "estar preparado para quando o Governo (Magyar) falhar e o povo se cansar dele".
Orbán lidera o Fidesz desde 1993, com exceção de um período de três anos, entre 2000 e 2003.
Num documento publicado por ocasião do congresso de hoje, Orbán afirma que "a União Europeia representa atualmente o maior perigo para a soberania da Hungria".
O líder do Fidesz vai participar na quarta-feira numa reunião do grupo ultraconservador de eurodeputados Patriotas pela Europa, que ele próprio fundou há dois anos.
Embora Orbán ainda mantenha o controlo dentro do Fidesz, um regresso ao poder parece cada vez mais improvável depois de Tisza ter apresentado ao Parlamento, há poucos dias, um projeto de lei que limita os mandatos dos primeiros-ministros.
A alteração, que é retroativa, estipula que os primeiros-ministros na Hungria só podem cumprir dois mandatos de quatro anos.
Orbán esteve no poder durante cinco mandatos, quatro deles consecutivos, entre 2010 e 2026.